Escrita

Estou lá todas as manhãs, mesmo que nenhum dos teus “bons dias” seja meu

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Estou lá de manhã, quando é tão difícil acordar. No caminho para qualquer lugar que fores, mesmo que às vezes, admite, não os escolhas lá muito bem. Ouço o que precisas de dizer, o que só precisas de pensar e tudo aquilo que toma conta de ti durante dias e enche a tua mente, seja de coisas boas ou de preocupações.
Adoro aquelas coisas que acontecem que não sabes explicar, adoro ouvir-te procurar palavras que digam
ou pelo menos cheguem perto de dizer aquilo que sentes, mas não consegues. Quando parece que não há nada melhor para se viver, sim, gosto tanto de dias assim.
Estava contigo, naqueles momentos em que rigorosamente mais ninguém estava. Ouvi e vi tudo aquilo, e o que a tua mente já não te deixa lembrar. Sei dos dias, das horas, dos risos e das noites que passaste a chorar. Estava nos cantos da sala, à janela, atrás da porta fechada e na razão porque ela se fechou.
Estava nos gritos, nos sussurros, e cada conversa sincera levava uma parte de mim.
Sei os porquês dos teus silêncios e de cada atitude que tomas, mesmo aquelas que foram sem pensar. Sei o que podes e não podes, até onde vais e os teus limites. Sei o que te magoa sem dizeres a ninguém, e todas as pequenas e grandes coisas que te fazem tão feliz.
Conheço as pessoas que conheces, sei o que sabes sobre elas (e sabes menos do que tu pensas, deixa-me dizer).
Estou por dentro de tudo o que te fazem sentir, e sinto até ao extremo tudo isso contigo, e as partes que nem
para ti admites, também.
Estava de lado sempre que querias agradar a alguém. Estive de lado por tempo demais, mas às vezes podia ter ficado mais um pouco pelas razões certas.
Anulaste-me tantas vezes que pensei que te tinhas esquecido de mim. Disseste que havia algo melhor, que eu não fazia as coisas bem, e querias mais e melhor do que eu. Nunca achas-te esse mais e melhor.
Mas voltas-te sempre, com um sorriso nos lábios ou lágrimas nos olhos, voltas-te para mim. Porque é sempre para mim que voltas quando percebes que foste longe demais.
Lembras-te do que eu era, do que eu fiz e do que ainda posso ser. Voltas a acreditar no meu potencial e desenhas um novo futuro para mim. Lembras-te dos meus talentos que há muito não pratico, voltas para eles
e ainda estão lá. Pões a minha música favorita, a que me inspira, aquela que adoro cantar… e em segundos somos livres e leves. O tempo corre por aquela lista de músicas que me levam de um lado para o outro em sensações boas, e vai pondo tudo no sítio certo, vai me pondo no sítio certo.
E apercebes-te de quem sou, de quem somos. A vida anda às voltas e põe-nos às voltas. Mas eu estou sempre por aqui mesmo quando te afastares um pouco.
Não vou a lado nenhum que tu não fores. Podes, e vais, ignorar-me muitas vezes.

Esqueces-te do bem que te fazia uma pequena pausa para cuidar de mim. Às vezes pergunto-me se conheces de todo essa possibilidade, essa oportunidade que perdes tantas vezes.
No meio de todas as tuas razões, eu só tenho uma: ser. Eu só sou. Eu sou tu. Estou lá todas as manhãs, mesmo que nenhum dos teus “bons dias” seja meu. Até à noite, quando choras todas as tuas razões pelo chão do quarto e me encontras, ou quando o fim do teu dia é nos braços de alguém que amas, ou até num serão no sofá.
Encontras-me ali, como a única coisa que na verdade tens, a possibilidade de ser tu.

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