Escrita

Começa a fazer e fala depois

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No mundo o assunto agora são as minorias. Não sigo modas, mas isso é bastante mais que vaidade. São necessidades teóricas porque na prática já estamos há muito, mas mesmo muito, tempo a falhar.
Então começamos a falar dos assuntos, para ver se os mudamos. Se os aprendemos e os ensinamos. E vamos mudando o mundo devagar.
Então quero muito, mas mesmo muito, falar da minoria de nós que levamos o amor a sério.
Mas que lamechice.
Lamechice nenhuma. Ignorância, já essa, não me cabe na vista.
Levar o amor a sério não é levar um relacionamento a sério. É claro que quando sentes o que sentes por alguém, vais querer, valorizar, cuidar para que não acabe.
Quem não o faz, não o sente. Pois. Quem não o sente, simplesmente, não o faz.
Não há prémios em amar quem nos ama. Não. Não há proeza nenhuma aí.
Mas o amor é da minoria. Enquanto a maioria o vulgariza rudemente, por igoísmo puro… descuido ignorante.
Os autores e poetas, cantores e artistas de toda a história que sabemos ter havido e na que não podemos saber, depositaram nele as suas vidas inteiras. Para o descrever passaram horas e horas, a contempla-lo e pensa-lo, absorve-lo, para tentar compreende-lo sem conseguir.
Usaram as palavras que ele lhes inspirou e pareciam sempre pequenas e poucas.
Poemas longos e belos, tentaram. E não, não conseguiram.
Quadros de cenários onde o amor estava, não o capturaram. Fugia por entre as tintas e as linhas. Porque não eram dignos dele.
O amor é a arma das armas. A primeira que existiu. Muda o mundo as vezes que ele quiser, depressa ou devagar, só porque pode.
Tem muitas formas diferentes. Não, não é sempre igual.
Mas é sempre intenso, é sempre imenso, sempre assim, como ele é.
Não se deixa descrever, nem mostrar por completo. É maior que tudo, nada lhe importa tanto como ele próprio.
E vêm resmas daqueles que falam muito e pensam menos. E dizem que amam quando gostam, quem amam quando não gostam, que amam quando lhes saí dos lábios porque sim ou porque não. Ou sabe Deus, porquê.
Enquanto isso, debaixo do pano, há uma minoria que espera uma vida para dizer o amor. Porque só se diz o amor quando se ama. E não se ama quando se pensa, não, nem quando se quer, não. Nem quando se diz, muito menos quando se diz.
O amor começa devagar, às vezes. Outras, invade!

O amor começa a fazer e fala depois.

Nada o pára. Nem o acaba.
Não desiste, por nada. Por nada.
E deixa os poetas a noite inteira acordados, a vida inteira cheios do vazio de não o conseguir rimar. Os autores não criam nada que se lhe compare, são páginas de tentativas.
Artistas enlouquecem. Sim, enlouquecem porque a sanidade é tão pouco quando se ama.
Queremos lá saber da sanidade. Queremos lá saber do tempo. Queremos lá saber do esforço. O amor faz tudo. Se não faz tudo não é amor. Se acaba, nunca foi. Tanta coisa não é amor.
Mas eles pensam que sim. Ou então não pensam de todo. Não pensam de todo.
Futilidade de vida. Quando há tanta coisa tão rica para ser sentida assim, demais.
Minimizam, simplificam, esquecem, passa tudo ao lado. A fingir que sentem tudo, não percebem nada de sentir.
Grito pela minoria que leva o amor a sério. Manifesto-me pela minoria, que leva o amor a sério. E no silêncio que se ouve do meu manifesto, só sinto. Porque é isso que nós, minoria, fazemos. Sentir. Calo-me e sinto. Acordo e sinto, a dormir sonho que sinto enquanto sinto e não sei dizer…
Uma vida inteira para dizer o amor. Mesmo acordando com ele todos os dias, levamos uma vida a conhece-lo, a vive-lo.
E é no silêncio que ele se fala melhor.

Uma vida inteira, não chega.

Uma vida inteira, para dizer o amor…

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