Escrita

Até o tempo nos guardar

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Tenho vinte e dois anos, apenas vinte e dois. Não é muito, nem pouco. Pode vir a ser bastante mais, podia ter sido menos.

Olho para o meu tempo como um album porque, como um álbum, ele guardou o que passou e quem passou. Aqueles rostos que chegaram e foram e eu já nem recordo. Os nomes que eu nunca decorei, e aqueles que me marcaram no mais profundo de mim. Guardou os dias de sol e o cheiro da chuva. As imagens que os meus olhos fotografaram, os sons e os cheiros que eles não viram.

Guardou aquilo que eu já não posso ter, as vozes que já não posso ouvir, os abraços que ficaram lá para trás. A certeza e a segurança de muita coisa, que só eu sei, ele também guardou. Aquilo que era e de repente ou tranquilamente deixou de ser, ficou com ele. Horas e pessoas preciosas estão guardadas. Histórias, e risos, e sonhos e tudo.

Não preciso de ter medo do tempo porque ele só guarda. Passa, e guarda tudo o que prefere ir com ele em vez de ficar. Não me deixa perder, só ganhar: vida, experiência, espaço, motivos, novidade e mais tempo.

Sempre mais tempo, temos sempre tempo. Até o tempo nos guardar.

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